Da cidade à cena a partir de elementos do real: texto, vídeo e atuação
Resumo
Na oficina o participante conhecerá elementos do Teatro Documental, vivenciados em exercícios que partem do registro escrito, da memória e do registro em vídeo. Tendo como método a observação de pessoas, locais e situações, o material colhido é transposto para dramaturgia cênica e audiovisual.
Descrição
Durante seus anos de existência, o Grupo Carmin tem trabalhado duas vertentes essenciais do teatro contemporâneo: a preparação do ator-pesquisador e a criação de dramaturgia original. Ao longo desse tempo, o Carmin consolidou uma série de práticas resultantes dos processos de
montagem das peças “Pobres de Marré”, “Jacy”, “Por Que Paris?”, “A Invenção do Nordeste” e “Gente de Classe”. Essas práticas têm como matriz as técnicas de Rasaboxes, mímese corpórea, escrita automática e escrita de observação.
A oficina propõe o compartilhamento dessas práticas de criação de personagens e dramaturgia, tendo como ponto de partida a observação de pessoas em situações reais nas ruas. O trabalho é feito de forma ética e respeitosa, não exatamente “usando” as histórias de vida das pessoas
observadas, mas elegendo fatos fundadores para o início da ficção.
Iniciamos a oficina com a observação mimética do cotidiano para elencar os principais elementos
que desenvolvem a criação de nossas peças e personagens. Em seguida, estimulamos a criação de uma tradução da história/pessoa observada para a história/memória levantada pelo ator/dramaturgo.
Finalmente introduzimos a linguagem audiovisual (elemento de pesquisa do grupo desde 2012) e propomos uma cena-célula a ser compartilhada. A ideia é que os participantes possam ter uma vivência de todo o processo de criação do Grupo Carmin e experimentar construção de dramaturgia e cena a partir dos elementos explorados.
Criação dramatúrgica
Descrição
A oficina propõe a experimentação da técnica de Rasaboxes, criada por Richard Schechner e introduzida no Brasil por Michele Minnick, em diálogo com práticas de criação dramatúrgica documental desenvolvidas por Henrique Fontes nos últimos 12 anos. O Rasaboxes, inspirado na estética rasa da tradição indiana, é um treinamento que estimula o corpo a acessar, experimentar e nomear estados emocionais em caixas delimitadas no espaço. Ao atravessar esse jogo, o intérprete se conecta a uma fisicalidade que não dissocia corpo, emoção e imaginação.
Na segunda camada da oficina, esse mergulho sensível encontra a dramaturgia documental. A partir de materiais biográficos, contextuais e coletivos, fatos históricos e matérias jornalísticas, a escrita será construída em diálogo com o real, ressignificando memórias, arquivos e relatos que serão parte integrante do jogo nas rasas.
Estrutura da Oficina
A atividade será 100% prática e presencial, com carga horária total de 12h (divididas em 4 encontros de 3 horas cada). Os encontros deverão acontecer aos sábados.
Encontro 1: introdução prática ao jogo nas rasas, sensibilização corporal e ativação de memórias.
Encontro 2: parâmetros para escrita dramatúrgica a partir da vivência nas caixas, com exercícios de escrita automática. Elaboração de pequenos fragmentos dramatúrgicos unindo memória e jogo nas rasas.
Encontro 3: Experimentação entre Rasaboxes e Dramaturgia em Linhas. Trabalho com documentos e fatos jornalísticos. Elaboração das células dramatúrgicas;
Encontro 4: Experimentação e desenvolvimento das células dramatúrgicas em jogos de duplas e trios, dentro das rasas. Avaliação e encaminhamentos.
Os participantes produzirão células dramatúrgicas pessoais e/ou coletivas, fruto da experiência física e da ativação de memórias e documentos, em alinhamento com a técnica de dramaturgia em linhas, compondo um mosaico que articula subjetividade e realidade social.
Dramaturgia Audiovisual no Teatro
Resumo
A oficina de Dramaturgia Audiovisual é uma introdução teórico-prática às técnicas utilizadas pelo Grupo Carmin na aplicação do audiovisual em cena a partir do que foi desenvolvido para as montagens dos espetáculos “Jacy”, “Por Que Paris?”, “A Invenção do Nordeste” e “Gente de Classe”.
O principal objetivo é apresentar aos participantes a pesquisa do grupo na utilização de recursos audiovisuais nas artes cênicas, especialmente o teatro, onde o estudo nasceu e se desenvolveu, e propor algumas experimentações.
Descrição
Dramaturgia Audiovisual no Teatro é o termo criado pelo Grupo Carmin para definir a utilização da linguagem cinematográfica dentro da dramaturgia original de seus espetáculos.
A pesquisa conectando as duas artes, desenvolvida ao longo dos anos nas peças “Jacy”, “Por Que Paris?” e “A Invenção do Nordeste” será demonstrada de forma teórica e prática, a partir da conceituação das funções narrativas do audiovisual em cena e das técnicas desenvolvidas nas montagens dessas obras.
A oficina propõe um olhar sobre situações dramáticas que podem ser potencializadas ou enfraquecidas quando se usa projeção no palco e também um questionamento quanto à justificativa da utilização desse recurso na dramaturgia para que o diálogo entre os departamentos criativos e
técnicos tenha coerência. A partir de noções de direção de fotografia, como luz e enquadramento, será discutido de que maneira o cinema pode conversar e contribuir com as artes cênicas.
O percurso da formação se dará por meio do relato dos erros, acertos e reflexões realizadas ao longo dos processos do Carmin na experimentação desse dispositivo, para por fim analisar o resultado final dos espetáculos do grupo e outros mais utilizam audiovisual em cena.
Como aprofundamento da atividade, serão realizadas cenas que experimentem, com os equipamentos de câmera, som e projeção, os princípios estudados na oficina tendo o gênero de Teatro Documental como base.